Condromalácia patelar


 

É o termo usado para designar a lesão que acomete a cartilagem da patela, literalmente significa “cartilagem amolecida”. O amolecimento e posterior degeneração da cartilagem, está relacionado com o uso excessivo, trauma direto ou indireto e alteração biomecânica da articulação patelo femoral. Muitas das vezes a origem é idiopática (sem causa conhecida). A condromalacia representa uma causa comum de dor anterior no joelho. É mais frequente em mulheres e alguns estudos na literatura citam que de cada 10 mulheres com dor anterior no joelho que realizam Ressonância do Joelho, pelo menos 7 apresentam algum grau de condromalacia da patela, felizmente menos da metade manisfestam dor ou algum sintoma.

 


Diagnóstico

O paciente geralmente chega ao consultório, referindo dor na região anterior do joelho, ao redor da patela, que por vezes pode se irradiar (estender) para outros locais como a região posterior. Pode ter relação com trauma prévio, ou ter histórico de instabilidade patelar associada ou não a luxação. A dor costuma piorar em situações em que há aumento da pressão no contato da patela com o fêmur (durante a flexão), como subir e descer escadas, dor ao levantar da cadeira ou agachar. É freqüente a queixa de estalos (crepitação) durante a execução do movimento articular (flexo-extensão do joelho). O Raio-X do joelho, pode evidenciar alterações relacionadas a instabilidade patelar como patela alta, displasia patelar e femoral, além de possíveis alterações artrósicas na articulação, porém a Ressonância Magnética é o exame de escolha para o diagnóstico, pois confirma e gradua a intensidade da lesão da cartilagem patelar, além de evidenciar lesões associadas como a do ligamento patelo femoral medial.


 

Tratamento

O objetivo principal do tratamento é a melhora da dor e controle da progressão da doença, e, para isto, dividimos o tratamento em duas modalidades: Conservador e Cirúrgico.

Conservador: Primeiramente o paciente deve se policiar, e evitar situações de estresse que possam agravar os sintomas, a retirada ou diminuição de fatores agressores, como atividades que levam a flexão constante do joelho, em atividades físicas ou diárias (por exemplo; ficar muito tempo sentado, subir e descer escadas, andar em superfícies irregulares etc), devem ser seguidas. Os medicamentos analgésicos e antiinflamatórios estão bem indicados na fase inicial ou nos casos de dor aguda para controle do mesmo. Dentro do arsenal terapêutico, temos os condroprotetores (protetores de cartilagem) que podem ser administrados por via oral ou intra articular, têm como objetivo também a melhora da dor, além da melhora da qualidade da cartilagem, e diminuição no processo de destruição da mesma. Já a fisioterapia é essencial, visa o reequilíbrio muscular através de medidas que fortaleçam a musculatura do joelho, e ao mesmo tempo promovam o alongamento global com ênfase para região posterior do joelho, em média estima-se que o paciente faça três meses de fisioterapia para que possa apresentar resultados satisfatórios.

Cirúrgico: Indicado na falha do tratamento conservador, sabe-se que a cirúrgia é uma alternativa terapêutica e que quando comparado ao tratamento conservador, os resultados são similares, por este motivo que na maioria das vezes optamos iniciar pelo tratamento conservador. O objetivo visa o alivio da dor e estabilização da lesão condral e muitas das vezes é associado a reparação das alterações que estejam contribuindo com a lesão. As opções terapêuticas (técnicas) variam do simples debridamento condral (raspagem), liberações e realinhamentos, a artroplastia patelo femoral(protese) dependendo do caso. Independente da técnica utilizada, o paciente é submetido a um rigoroso protocolo de reabilitação na fisioterapia.